terça-feira, 28 de outubro de 2014

Feelin' Music





Inspirado na Edição n° 296  d'O Boêmio
-
Cultura Popular independente e evolucionária! -
Ano 24. Matão (SP), 19 de Setembro de 2014.





Entrevista de Eduardo Waack a Sérgio Sabará,

na Radio Educadora de Matão/SP,

que foi ao ar no dia 18 de outubro 2014











Música e Sentimento, por Eduardo Waack


      Há música nas palavras, música no silêncio. Música se ouve no borbulhar das águas ao descer a correnteza,rio abaixo, música e esperança.

    Existem sons que apenas se ouvem com os olhos fechados, e outros que percebemos somente com o coração aberto. Há música na voz da mãe que embala seu filho nos instantes de provação, música nas brincadeiras infantis, música no choro sincero. Há música no rugir do vento que anuncia a tempestade, melodias entoadas pelos pássaros, sons ancestrais saem daquela caverna. Há música no sorriso, sentimento nas atitudes. Eu desejo que todos aqueles que procurem com sinceridade, encontrem o almejado.

    Desejo que as pessoas possam descansar em paz ao final de um dia árduo, em que as sementes foram lançadas à terra e o que era preciso se fez, com humildade. Que você saiba valorizar cada instante de sua existência, pois ele é único, passageiro e não volta jamais. Que a música que emana do interior do Planeta envolva as famílias em cada rincão deste país. Que sejamos abençoados pela vibração sutil que irmana os povos e rompe as barreiras. Desejo que os desejos carnais sejam abrandados, e a mente aquiete-se, que o ego desapegue e o espírito evolua aos patamares do sublime, que a alma sinta-se livre ao abandoar este corpo pois cumpriu sua propagação sem interrupções.

     Não há mais o que organizar neste mundo. Tudo já foi dito e feito, no entanto, o sofrimento e o desespero aumentam a cada momento. A fome, a miséria, a intolerância e as guerras. Salva tua alma. Abandona o supérfluo. Deixa o materialismo e o inútil poder do dinheiro. Um dia descobrirás que dinheiro não se come. Um dia saberás que o mais importante desta vida foram os instantes passados sem preocupação, junto à natureza. Descobrirás então a música que flui das energias que emanam da intuição. Música e sentimento.

    Há música no ritmo e na cadência constante do movimento estelar. Música no arrumar dos pombos nas tardes de outono, música no fluxo-refluxo das marés. Ouve esta voz que te orienta sem nada pedir em troca. Há sentimento nos animais, sentimento nas árvores, sentimento nas pedras que rolam à beira do regato. Não deixes para depois o que pode ser feito agora. Abandona a soberba e a ganância. Baixa as armas, depõe o orgulho, esquece a vaidade. Há música no pensamento... Música silenciosa como a respiração de um nenê, mas nem por isso inaudível. Sente o silêncio que dispersa ilusões vindouras. Vaidade, tudo é vaidade.

     Canta comigo, irmão, esta canção, e saberás a direção a tomar, quando olhares as estrelas, na longa noite americana. 






Quadro Inspirado n'O Boêmio, edição 296.


As Sete leis Herméticas

de Georges Oshawa:


  1. Mentalismo: "A mente primordial existe em cada mente isoladamente" ou Tudo é Mente, o Universo é mental.

  2. Correspondência: "O que está em cima é como o que está embaixo. O que está dentro é como o que está fora."- Tábua de Esmeraldas, cerca de 3000 a.C.

  3. Vibração: "Nada está parado, tudo se move, tudo vibra".

  4. Polaridade: "Tudo tem sua dualidade: dois polos; os opostos; o igual e o diferente; os extremos, em um ponto, tocam-se; todas as verdades são meias verdades; e os paradoxos podem ser solucionados".

  5. Ritmo: "Tudo tem um fluxo e um refluxo; tudo tem as suas marés".

  6. Causa e Efeito: "Para cada ação há uma reação igual ou diretamente oposta". - definição do autor deste blog, Inspirado na terceira Lei de Newton que diz: [Princípio da Ação e Reação] Se um corpo A exerce força em um corpo B, este reage em A com força oposta. Essa lei sugere que na natureza as forças ocorrem sempre em pares (opostos ou iguais), não havendo ação sem uma correspondente reação (oposta ou igual).

  7. Gênero: "O gênero está em tudo, são as facetas masculinas e femininas na imensa dança do cosmos".
















TODA A POESIA


DELICADA AFEIÇÃO

Oh tão silenciosa,
Quem se manifesta a ti
Senão o sonho?
Brisa que vara muralhas
Rompe Segredos
Dispersa as migalhas.
Musa & aranha
Tecelã & guerrilheira
Cai em tua teia
Torna a retornar
Para ali ficar.
Mudo.
Oh miraculosa,
Mestra em tua pátria
Cruza as fronteiras
E faz a terra bendita. 
Tua colheita
É o cerne dos seres livres
E na inspiração confiante
Onde te entrego
Afeto & desejo
É luminoso, embora severo
Íntegro, local & infinito
O caminho de quem te segue.
Eduardo Waack.


FAMÍLIA UNIDAS LTDA

Quer barra um "ficha suja"
toda  a mídia, a mil. Esperto,
o político enferruja
mas não deixa o posto aberto.
Sua esposa, a dita cuja
que das cortes está perto,
é também mamãe coruja:
quer um filho eleito, e é certo.
Se o papai barrado for
e a mamãe, por despudor,
for no escândalo envolvida...
Sem problema! O junior herda
a cadeira, faz mais merda
e o Congresso convalida!

Glauco Mattoso. São Paulo - SP



FOLHAS CAÍDAS

Na via-crucis desta rua
mora um anjo que se chama Solidão.
Se eu pudesse eu mandava ladrilhar
seus passos para que aqui ficassem
na terra que os viu passar.
Na via-láctea do sonho, uma estrela
no céu da tarde se fez
além de Órion
e vai brilhar pela última vez
no voo orbital do Sol.
Na via-férrea  deste outono
- entre folhas caídas -
uma entre mil outras renasce
como se o céu se abrisse
para não deixá-la cair
(injustamente)
para sempre
na impossibilidade
do não-ser.

Joaquim Branco. Cataguases - MG / junho de 2014.



CANTOR DE AMOR E LAMA

Choveu
e há lama em Santo Amaro
nas ruas
nas casas
vós contornais
eu não
a mim a lama não suja
eu sou a lama das chuvas
que caem em Santo Amaro
Vosso Scotch
pode me sujar por dentro
cachaça não
vosso perfume
pode me sujar por fora
suor nunca
porque sou suor
a cachaça e a lama
das chuvas que caem
em Santo Amaro das Salinas

Erickson Luna.



MARIPOSA

Pra eu poder
e só
andar nas ruas
fez-se em volta uma cidade.
Para se dar
mais colorido à noite
pôs-se acima um luminoso.
E pra que eu
me sinta bem enfim
nesta cidade
há-se em mim um cidadão.
Portanto Livre
como o que é em noite
e que enche as ruas
perseguindo luzes
acordando
ainda que em sonhos
íntegro
ainda que meio-homem
plenamente meio
mariposa.

Erickson Luna.


De Primeira Linha Alemã

I
     Na feira que exibe o moderno
Centro CNC - que usina até PVC -,
Vê-se e negocia de tudo o que tem
vasta tecnologia, de primeira linha;
Vantagem dos alemães,
donos da franquia,
que comercializa
as mercadorias. 
Os compradores são os brasileiros,
de olho no dinheiro que o maquinário
faz nas mãos de seus engenheiros
e certos operários de esteio, 
Alheios as crises, porque se contratam
aos montes, para a produção, certamente
já não fazem o mesmo para a exportação?
Não! E por quê, não? Porque lá é da "turma",
meu irmão! Ali só entra quem é de posição.

II
Mas, mano, não esquenta, não.
Pois vive alheio a corrupção,
vivem tocando as suas canções e
não lhe falta o pão, nem uma mão.
Se só não tem o teu tostão, mas
deixa que eles façam a produção!
com o equipamento alemão,
que ganhem e gastem seus barões,
consumam, produzam, alimentem o ciclo.
Para quem compete tudo é uma Copa,
que um dia acaba,
mas não sem antes
os Alemães fazerem Setes Golaços

(+ as suas automações, educação e alta administração)

e os Brasileiros terem feito apenas um:
o da honra amarela
. Foi isto mesmo?
... Mas tudo acaba, não sem que antes saibamos:
no Mundo, ainda, há a primeira e a sétima realidade.
Edson Fernando. Matão - SP / outubro de 2014.




Entusiasmo Puro

Quero ser puramente: alegria!
Quero dar brilho à vida.
Quero ser risos e festas,
desejo trazer descontração e suavidade.

Sim! É muito bom ser crítico,
ter a mente reflexiva e ácida,
Mas, alguns vezes, devemos
deixar a austeridade de lado,
devemos descansar e para tal,
Nada melhor do que a alegria!
Que Alegria! Devemos,
algumas vezes, sermos felizes,
somente por continuarmos vivos.

Devemos brindar a vida,
Cantar canções, bailar como jovens,
nas encantadoras festas das antigas,
Devemos nos entregar aos nossos gostos,
Pois só comemorando, dignamente, a nossa vida
percebemos um dos porquê de nós estarmos vivos.

Eu quero ser, puramente,
A Alegria e O Entusiasmo,
de uma criança esperta,
que brinca com as flores,
eu quero ser o riso do vento
que brinca na face do menino –
E o prazer da companhia de um bom amigo.

Pois quem é alegre consegue ver
com olhos mais dispostos, ao seu redor,
E como eu eu quis ter sido a Felicidade!

Edson Fernando. Matão -SP








Creatures Livin' - desenho feito com caracteres especiais
(no OO Draw, semelhante ao Pacote Office).
Criação do autor do blog e divulgado em primeira mão aqui no blog,
O_Boêmio Online









DETALHE: Sacratíssimos e Beneditos Corações de Jesus e Maria
 - desenho feito com o OO Draw, semelhante ao Pacote Office.







Microscópio
- Feito com o xaralx (modelo próprio do programa, cada detalhe poderia ter sido alterado, mas foi mantida a arte original do software)

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

terça-feira, 10 de setembro de 2013

O Novo


O Boemio
versão on line


benvindo O Novo

Há um momento da vida em que nada mais espanta. Do mundo somos velhos conhecidos e passageiros cordiais, buscando descobrir um amor maior que o céu, integral e original.
Quando pequenos percebíamos os mistérios sagrados, mas crescemos e agora julgamos tola qualquer forma de carinho e afeto. Caímos e nos levantamos, seguidas vezes, e o joelho calejado não dói raspando de encontro ao chão. Fome, miséria, riqueza, um jogo de futebol, encontros e desencantos da juventude borbulham em um caldeirão que indiferente vejo como um filme colorido e bem produzido, embora superficial. Por que a falta de vontade de conhecer coisas novas? A incômoda sensação de que já não são mais possíveis grandes descobertas, se hoje uma criança sorriu e uma flor se abre, vestida de gala, no jardim? Tentamos deixar aprazíveis e ocupados os nossos dias, esforçados para manter certo padrão econômico; no final de semana é churrasco garantido, mas cadê as íntimas quimeras e anseios que nos iluminam, nos sonhos adolescentes? Estão abarrotadas e empoeiradas, esquecidas numa estante de algum canto obscuro da memória, cansadas de esperar.
Por favor, não deixemos que a escuridão apague a luminosidade. Façamos ouvir os belos sons de um pássaro interior. Nos instantes de provocação é que podemos nos conhecer. Este sentimento que se insinua, radiante, faz parte do que somos. Cuidar do corpo e do espírito – não basta a Vontade se não houver motivação. Os caminhos que encontramos, já trilhados, são pontos de apoio quando a noite é fria & temerosa. Talvez o espanto de tornar-se livre rompa todas as barreiras que nós mesmos já erigimos!
Chegar até aqui foi fácil. Prosseguir é que interessa.



EDUARDO WAACK









O Lixão Acabou;
Viva matão.
! Retirado do boêmio de 09 de Agosto de 2013, número 285 → a voz do povo é sábia e tem poder. Quando a população se une por um objetivo comum, rompe barreiras, supera adversidades e conquistas os seus objetivos. Assim foi com o movimento Popular pela retirada do Lixão do Residencial Maria Cândida, que teve início como uma simples reivindicação, de algumas pessoas desesperadas, e cresceu em motivos e intensidade, ganhando a simpatia de toda a população matonense, lutando até alcançar o seu objetivo. O lixão foi extinto pela Prefeitura Municipal, para em seu lugar, surgir uma nascente área de preservação ambiental. Muito ainda há para ser feito neste lugar, mas demos o primeiro passo mudando e transformando para melhor a ordem das coisas. Agradecemos a todas as pessoas que colaboram nesta luta. O prefeito de Matão, Chico Dumont, ouviu os anseios populares e tomou a decisão correta, pois o Lixão escuro era considerado uma vergonha para essa bonita cidade. Esperamos que esta batalha pela preservação ambiental e promoção humana tenha servido de exemplo para outras pessoas de outros bairros e cidades. Muitos nos viam como loucos ou sonhadores. Nestes dias de luta, fizemos amigos, discutimos direitos e deveres, pensamos em Matão e nos tornamos mais seguros. Como disse Raul Seixas, “Sonho que se sonha só, é um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade!”

por Eduardo Waack → Representando a Comissão dos Moradores do Residencial Maria Cândida.
N. do A.: Infelizmente, mesmo desativando este Lixão, muitas pessoas continuam desrespeitando as leis municipais.

Opinião
versão on line


Falta-Me Tempo

Reparei que, com o tempo, as pessoas tem tido menos tempo umas para as outras. Talvez o problema não seja apenas do ser Humano, mas desse mundo em que vivemos, que cada dia toma mais o nosso tempo, seja pagando contas, fazendo compras e trabalhando.
Antigamente, era mais comum as pessoas cultivarem uma reação mais estreita até com os seus vizinhos; hoje, mal conhecemos quem mora ao lado de nossa casa. Se fosse apenas isso, mas não para por aí...
A distância pode ser vista também dentro do nosso lar. Cada um tem uma rotina, não sobrando tempo ou disposição nem para sentarmos em volta de uma mesa para colocarmos o papo em dia. Passa-me a impressão de que as relações interpessoais tornaram-se mais frias, talvez não porque queiramos, mas porque nos falta tempo em nosso dia a dia para nos dedicarmos mais a essa questão.
Mas será que, se ao invés de vinte e quatro horas, o dia tivesse mais horas, usaríamos esse tempo para cultivarmos nosso relacionamento com o outro?
Acho que não, e ainda continuaríamos usando a típica frase:
_ Falta-Me Tempo.

Por Richely M. Tavares


TODA POESIA

TERCEIRA GERAÇÃO

Brasil, não conte comigo
Perdeu um aliado
Perdeu um amigo
Nasci.
Cresci.
Envelheci.
Levei até porradas
Meu neto viu,
E até agora de bom nada vi.

Selmo Vasconcelos – Porto Velho (RO)


O Boêmio, 23 Anos!

O Boêmio, jornal sério
nasceu em 1990
depois de inteligente
orgasmo intelectual.
Em suas colunas
fomos encontrando
ano trás ano a essência
das notícias, assim como
a literatura fecunda
e elemental
da cultura brasileira.
O Poeta Eduardo Waack,
escrevendo e editando,
foi vencendo os problemas
da economia,
das emoções pessoais,
as obrigações familiares
e até mesmo a virtualização
da imprensa toda!
Viva essa força, Edu amigo,
Seguindo caminhando
contigo, agora e sempre

Teresinka Pereira – Ohio (EUA)
CELLULA MATER

Mulher, como vieste a esse mundo?
Em um dourado berço de princesa,
Ou na enxerga nua e sem coberta?
Tua mãe ninou o ventre fecundo
Ou te mirou, sofrida na incerteza?
Mulher, vieste para desfrutar
o Mundo inacessível da riqueza
Ou a servidão sem fim da pobreza?

Não Importa; nasceste; segue o rumo

Mesmo sendo cruel e traiçoeiro
Sem ter a esperança
de um dia ameno...

Laborando tua faina por inteiro,
jamais olvidarás a meta honrosa:
TEU ÓVULO NA GESTAÇÃO DO MUNDO!
Para isto vieste, eis teu louro:
Trabalhar na lida dura, afanosa,
Sobreviver no Futuro Vindouro.

Maria Lúcia Silveira Rangel – São paulo (SP)



DRUMMONDIANA

Chega de gerúndio
eu não me chamo Raimundo
nem estou buscando solução
o que eu quero mesmo
é o fim da corrupção

Ilma Fontes Aracaju (SE)
INUTILIDADE

Quem fica parado a meditar
dificilmente acha o remédio;
morre de tédio.

Silvério Ribeiro da Costa – Chapecó (SC)


VELHOS AMIGOS, NOVAS HISTÓRIAS


Todos dizem que aqueles das antigas
só sabem & vivem daquelas nostalgias.
Mas só alguns poucos não dizem tais besteiras
E garantem que os conhecidos podem ser tanto quanto
Ou mais antenados dos que os que são de agora.

O mundo não é de hoje, mas aos de hoje,
parece que tudo é o agora, se quisessem saber
quantas histórias temos para contar,
o quanto podemos ensinar e aprender,
mas este é o problema da tecnologia
voltar-se inteiramente para o novo

E mesmo quando se voltam ao passado, criam outra coisa
Como agora, irão reinventar o relógio e os óculos. –
para que possamos ver e sentir como nunca antes fora vivido.

E nossos velhos amigos ficam esquecidos,
ou ao menos não tem tantas curtidas como esperávamos
Ao passo que o infame se alastra e o que envergonha
é posto ao público em alto e desregulado som
na luz do dia, tanto quanto ao percorrer das horas da madrugada.

E na modernidade da mais atual futilidade
desconsideramos o que sabemos que é valioso
que já provou toda sua majestade
E aplaudimos o que dubiamente propunha entreter
mas que veio a causar confusão, alarde e exploração.
Se não exploram valores hoje, não exploram mais nada.
A menina se despiu no twitter para ver quantos viam
e os pais não sabem mais a quem recorrer

Este advento da rapidez, da exposição, do vulgar
Não veio ao nosso pleno interesse
são antes às pessoas que querem e desejam estas coisas.

Todavia, eu prefiro meus velhos amigos poetas e suas novíssimas e fabulosas Arte.

Não que eu seja desconfiado dos novos
exceto quando eles querem que deles desconfiamos.

Edson Fernando – Matão (SP) [exclusivamente para essa edição d'O Boêmio_Online]

sábado, 3 de novembro de 2012

Sileno




A Paixão pela Liberdade


    Originalmente, esse blog, só iria transcrever versões distribuídas pelas ruas do famoso jornal cultural O boêmio. Mas, como sabemos, a vida é mais surpreendente do que imaginamos. Assim, o editor d'O boêmio real, Eduardo Waack enviou-me um material inédito para publicar aqui no blog e isso irá acontecer. Aproveitei um texto que intencionalmente escrevi para publicar n'O boêmio mas que nunca enviei, o resultado é  essa versão totalmente inédita. 

    Mas, o que significa Sileno.

    Sileno era o maior discípulo de Dionísio,o deus Grego do Vinho e do Teatro, Sileno bebia tanto que tinha visões em suas bebilanças e frequentemente os sátiros e outros seres encantados tinham que ajuda-lo a chegar em casa. Nietzsche assim escreveu sobre essa lenda: assim

     Segundo o filólogo e filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844 - 1900):

"Reza a antiga lenda que o rei Midas perseguiu-o na floresta, durante longo tempo, sem conseguir apanhá-lo. Quando, por fim, ele veio a cair em suas mãos, perguntou-lhe qual dentre as coisas era a melhor e a mais preferível para o homem. Obstinado e imóvel, calava-se; até que, forçado pelo rei, prorrompeu finalmente, por entre um riso amarelo, nestas palavras: - Estirpe miserável e efêmera, filhos do acaso e do tormento! Por que me obrigas a dizer-te o que seria para ti mais salutar não ouvir? O melhor de tudo é para ti inteiramente inatingível: não ter nascido, não ser, nada ser. Depois disso, porém, o melhor para ti é logo morrer" (Nietzsche, O nascimento da tragédia).


E assim, iniciamos uma nova edição com o título, Sileno,  pois por vezes somos desprezados e acham até que somos gente maldosa, mas na hora dos conselhos nos procuram e nem assim, veem com a guarda baixada, pois ainda assim, pergunta coisas que querem saber e JAMAIS as coisas que precisam ouvir.

    Amigos(as) bem vindo ao Boêmio On Line.

 

 




A TERAPIA DO OBSERVADOR - 1 de 2

      Por Edson Fernando

 

   Alguns livros de ficção gostavam de imaginar o mundo como um reino de catástrofes e violência modernas, sempre. talvez, ainda não chegamos no ideal de implantes biônicos com tecnologias cibernéticas, cyber--punk em si. Mas, ainda nos encontramos em 2000 e pouco, ainda desfrutaremos de eras com violência digital e suas mortes tecno existencial, suas armas atômicas de bolso e suas drogas com alucinações em um plano quadrimensional.

    falando com as possibilidades atuais, a violência tornou-se algo que se  aproxima de um padrão rude. E isso, deve-se ao fato da violência ter transmutado de coletivo para individual,aos olhos populares, seria, não ter um motivo coletivo para essa violência, ser violento sem um grande motivo por trás. Pois a humanidade prefere acabar com uma guerra a evitar uma guerra. Hoje, fala-se muito em banalização da vida e morrer por um tênis, dizem que as drogas é que são culpadas, e que o mundo está perdido. Ora, então o mundo está perdido desde épocas antigas, sabe aquelas histórias da inquisição, de colonizações, tráficos descarrados de pessoas, nazismo, datas que fazemos questão de esquecer. O que quero dizer é que já fomos violentos antes, mas nos faziam crer que a violência era o melhor de nós, tínhamos que ser violentos para matar as bruxas, violentos pois só o ariano tem vez, violento pois tínhamos  que manter nossos escravos nos eixos. Assim, hoje achamos absurdo tantas notícias violentas pois o matar, roubar, o violentar, ganhou causas pessoais, insignificantes, e isso a opinião publica não permite, pois só os grandes decidem quando atirar.

    De certa forma, a violência é causada por uma falta de identidade  e/ou por uma perda de identidade. Todos, teoricamente, podem ser violentos, em níveis distintos, mas podem. Porem algumas pessoas são incapazes de certos atos. A frase religiosamente correta "A violência gera violência", de certa forma é verdadeira e não deveria nos assustar tanto; pois se um ato violento,participa do nosso cotidiano, logo, muitos tendem a pagar na mesma moeda, exceto,os que são fracos ou os quem creem nas palavras do Cristo.

    A violência é irreversível e progressista. Uma vez que ensinam violência na escola, no MMA, na tv, no trabalho, nas letras das músicas, no desintencionalismo pelas verdadeira Crenças,migrando entre religiões, e só segregando entre seus pares, desestimulando a verdadeira irmandade que nasce da diferença e jamais  na unidade. A violência está nos campos de futebol, nos locais públicos e mesmo dentro de casa. Imaginar um mundo sem violência é imaginar um mundos em pessoas. O que seria possível, seria um mundo menos violento.

(continua)



 

Toda A Poesia

 

APARÊNCIAS


Eu vi a cobiça nos olhos de meu amigo
E a séria lucidez do inimigo. Ela foca,
Ele é forte, e as barreiras caem à frente
De seu preciso mirar.

Eu vi a chuva chegando, ao longe,
No bojo de nuvens cinzas, e senti a água
Escorrendo a purificar meu corpo.

Gotas frias, pelo quente: arrepio!
Pés como asas não andam, não voam, cortados.

À espera da redenção a dúvida crescia
Esparramando a poeira transformada em lama.

Quem eu julgava amigo, de imediato mentiu
E ri bem acompanhado nas madrugadas de neon.
Inimigos fiéis, companheiros de jornada
Necessitam tanto de mim quanto eu deles.

Caminhando, vim, vi e não me aborreci.
Apanhei, revidei, ponderei, ensinei, aprendi.
A terra em que pisamos, fértil & dengosa,
Deu-nos vida e a todos acolherá na morte.

A esperança fez-me homem, e o homem é humilde
Pois sabe que aos fracos pertence a natureza.
Quem se corrige, reverbera e vai além.

Menina crescida, mulher poderosa. Eu vi
Abrir-se a primeira rosa do jardim sonoro
No elétrico segredo da palavra medo.
Conhece-te, e possuirás o mundo!


Eduardo Waack





                                                                        

Eduardo waack